Curiosidade que virou negócio: o nascimento da Dkowski
 

Oi, eu sou a Danny Naiara Schwirkowski e quero contar a história da Dkowski. Já quero começar deixando claro que a verdade é que nunca comecei um negócio, ele meio que começou sozinho. Simplesmente não fui forte o suficiente para ignorar uma inspiração que tive - e quando vi já estava dando a luz aos primeiros pares de calçados feitos com reaproveitamento de materiais.

E, assim, nasceu a Dkowski!

(Mas senta aí que vou contar a história inteira.)

Sustentabilidade no design

Estudei design na faculdade e, como muitos estudantes de design do início do séc XXI, acabei por ser incumbida de um projeto de TCC que seria apresentado no final de 2014. A ideia era abordar o tema Sustentabilidade e ir atrás de um material que fizesse sentido ser reutilizado no contexto atual (da época) e pudesse ser reaproveitado de uma forma útil, esteticamente agradável e inteligente.

Optei pela garrafa pet. O projeto me levou a estudá-la profundamente e explorar as possibilidades de reuso. Dentre o leque de opções - há um número surpreendente de possibilidades - escolhi fazer uma sola de calçado e desenvolver uma coleção com essa temática.

Claro que tudo isso foi imaginado e desenhado para ser concretizado - mas não foi concretizado de fato. O objetivo não era esse, na época, então tentei não me apegar a essa materialização do objeto em si.

Sobre satisfazer uma vontade (que não sei de onde veio)

Misteriosa. Essa é a palavra que define essa vontade que me surgiu certo dia. Todo o envolvimento com o design sustentável de calçados fez crescer uma chama que provavelmente já existia em mim. Em um típico dia terrivelmente úmido, chuvoso e quente de Jaraguá do Sul, uma curiosidade surgiu:

Será que eu consigo tirar meu projeto do papel - usando minhas próprias mãos?

Sempre tive um pé no trabalho manual. O jeito de segurar os materiais e guiar as pontas dos dedos para criar linhas, curvas e cantos sempre me agradou. Vejo graça nos detalhes que minha mente visualiza e minhas mãos teimam bastante antes de executar com primor.

Sim, eu consenti. Eu consigo se eu tentar. (Ou pelo menos posso tentar até conseguir.)

O fator sincronicidade

(Essa parte da história é curta, mas merece um subtítulo só para ela mesmo assim.)

Logo depois da concepção dessa vontade e da aceitação de que ela estava grande demais para ser ignorada, comecei a procurar por materiais de confecção de calçados. Qualquer ferramenta básica serviria para dar o primeiro passo.

Uma coisa levou a outra e, quando pisquei de novo, havia comprado todos (!) os instrumentos de uma fabriqueta de calçados que fiquei sabendo que estava para fechar. Essa vida é mesmo louca.

Experimentos, testes e aprendizado

O ano era 2015 e a vontade era de fazer calçados com a força e delicadeza das minhas mãos, então foi isso que eu fiz. Depois de várias horas e muita concentração para fazer realmente o meu melhor, finalizei o primeiro par.

O que aprendi nesses primeiros dias é que na primeira vez que a gente faz uma coisa, o que a gente imaginou que conseguia fazer e o que a gente consegue realmente materializar são coisas bem diferentes.

Basicamente, você mira no cisne - e acerta no patinho feio.

Mas esse patinho eventualmente cresce e vira cisne. :)

A professora que virou cliente (e fez minha aventura virar negócio)

Depois de muitos cortes e testes, fiz o primeiro calçado que eu realmente conseguia usar. Era verão, então o mesmo acabou se tornando parte do look para idas a faculdade - e faz parte até hoje. Como era diferente e bonito, acabou chamando a atenção dos professores e amigos que sabiam do meu projeto que eu havia apresentado. E como não podia ser diferente, comecei a receber encomendas de modelos.

A história do patinho feio que cresce e vira cisne pode servir para qualquer negócio: é a partir do primeiro cliente que o objeto realmente se torna produto e a artesã se torna empreendedora. Só que nunca achei que isso fosse acontecer comigo. E, quando aconteceu, foi confuso. Várias perguntas surgiram porque eu claramente não sabia como me posicionar no mercado, quanto cobrar ou como embalar minha outrora criação, agora produto.

Recebi a primeira encomenda da minha professora Giselle Follmann que, inclusive era minha orientadora do projeto de TCC e, que me acompanhou desde o início nessa ideia maluca de fazer calçados.

Aprimoramento: a questão dos detalhes

Com o tempo, depois de muitas tentativas, por meio de erros e acertos, desenvolvi minhas próprias técnicas para criar calçados que eu tinha vontade de compartilhar com o mundo. Também montei meus próprios processos produtivos para aproveitar melhor meu tempo - fator essencial para manter os valores de venda acessíveis, mesmo se tratando de peças feitas à mão.

"A vida tem uma regra simples e generosa: você melhorará em tudo aquilo que praticar." Elizabeth Gibert

Algo em mim confia que essa frase só pode ser verdadeira. E, quando olho à minha volta, tenho certeza absoluta de que é mesmo. Afinal, olha só esse site cheio de calçados que eu mesma imaginei, desenhei, cortei, costurei, colei, tirei fotos, descrevi e coloquei aqui à venda! 

Moral da história

A parte interessante é que investir meu tempo nisso tudo foi algo que fiz simplesmente por: prazer. O prazer de ouvir aquela vontade que surgiu do nada, misteriosa, lembra? Então. Mas aí, mais uma coisa misteriosa aconteceu: as pessoas começaram a pedir para comprar as peças que eu fazia para mim.

"Quando fazemos as coisas para satisfazer a nós mesmos, podemos acabar atraindo o interesse de alguém." – Marcel Proust

Mal sabia eu que Marcel Proust tinha razão. Depois de vender meus primeiros calçados para professoras, veio a vez dos colegas, dos amigos. Depois vieram os amigos dos amigos e amigos dos amigos dos amigos (!). Eventualmente, abri este site e pessoas que nunca sequer souberam da minha história, também encomendaram seus pares.

Compartilhar minha jornada com você agora é importante para mim porque quero que você saiba de onde vieram os calçados que acompanham você na sua jornada! Foi uma vontade que me veio para que a gente se conheça melhor mesmo que nosso vínculo seja apenas a internet. 

E sabe de uma coisa? Espero que você também se permita explorar suas curiosidades, ouvir sua vontade e fazer coisas para satisfazer a si - e, quando você menos esperar, pode acabar atraindo o interesse de alguém.

:)